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Cheesecake

Vou publicar uma receita que é contribuição do meu irmão Claudio (as mãos da foto são dele).

Um Cheesecake não é uma receita italiana, mas é tão fácil e tão saborosa que merece um Post.

CheeseCake com calda

Para essa versão vou utilizar biscoitos maisena de chocolate e cobrir com uma geleia de morango

Ingrediente do CheeseCake

Os ingredientes são:

  • 200 g de biscoito maisena
  • 120g de manteiga
  • 450g de Cream Cheese
  • 2 ovos
  • 1 colher de chá de extrato de baunilha

Para o preparo primeiro triture os biscoitos no processador e junte a manteiga derretida para formar uma massa mais ou menos aglomerada

Triturar os biscoitos

Adicionar manteiga

Misturar as bolachas e a manteiga para fazer uma massa

Com as mão espalhe a massa em uma forma de 20cm de diâmetro e pressionado bem a massa cubra toda a forma. Deixe o fundo com 1cm de espessura e suba bem as bordas da forma. Na fota a forma tem 28cm por isso a massa ficou mais fina.

Moldando a massa do Cheesecake com as mãos

Em uma batedeira mistura homogeneamente todos os outros ingredientes e então despeje com cuidado dentro da massa

Adicionar o creme do CheeseCake

Levar ao forno

Levar ao forno pré aquecido a 200º C por 45 min. Depois desse tempo retire o papel e cozinhe por mais 15min ou até que, espetando um palito ele saia limpo

Sirva assim ou coberto de alguma calda ou geleia.

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Risotto – Parte II

Preparo Risotto a Milanesa

Preparo Risotto a Milanesa

O Preparo

Como vimos o arroz possui dois tipos de amido e para o risotto ficar com a textura aveludada e cremosa nos interessa incorporar a amilopectina ao caldo. Segundo Harold Macgee o risotto ideal deve ser preparado em uma panela rasa ampla, adicionando-se lentamente pequenas quantidades de liquido quente e mexendo delicadamente mas constantemente.

Essa técnica laboriosa gera fricção entres os grão que ajuda a amolecer o endosperma do grão rico em amilopectina, dissolvendo o mesmo no liquido de cozimento e gerando o resoltado final perfeito. Mexer o arroz apenas no final do cozimento também engrossa o caldo, porem ao invés de amolecer a camada exterior e dissolver os amidos, quando se meche no final se quebra os grão, adicionando amilose ao caldo e tirando a textura correta do grão de arroz.

Para o italiano deixar o risotto na textura ideal recebe o termo mantecare, uma maneira de se mantecare o risotto quando esse estiver começando a ficar mole é utilizar o movimenta da própria panela para gerar fricção entre os grãos

Mantecare

Mantecare

Alem da textura, o cozimento lento e a  adição constante do liquido em pequenas quantidades concentra e homogênisa os sabores. Para facilitar o preparo alguns restaurantes deixa o risotto quase pronto, e o resfriam rapidamente, reaquecendo e finalizando na hora de servir com caldo quente, isso garante uma melhor textura e evita que os grão desmanchem no reaquecimento.

Risotto a Milanesa

O arroz é um primeiro prato típico italiano, muito consumido na região norte, principalmente na Lombardia. Seu preparo básico inclui o arroz, o caldo e a finalização com manteiga e queijo, mas existem inúmeras variações. Vou passar 3 variações o clássico a milanesa, um com cogumelos e um com camarões, mas se tratando de um risotto bem preparado a imaginação é o limite para as receitas.

Risotto a Milanesa (Lombardia)

Esse Risotto é a receita mais tradicional que não leva Porccini, para a minha variação com porccini veja este post mas antigo

Risotto a Milanesa

Risotto a Milanesa

Ingredientes:

600g de arroz carnaroli

1,5 L de um bom caldo de carne

120 g de manteiga

uma cebola picada finamente

1,5 g de açafrão (zaferrano)

120 g de Grana Padano ralado

Variantes: 65 g de medula de boi, 1 taça vinho tinto ou branco

Preparo

Em uma frigideira grande e rasa dourar a cebola e a medula na metade da manteiga até ficarem levemente douradas. Adicionar  o arroz mexendo, para que esse não grude no fundo da panela.

Agora com cuidado vá adicionando com uma concha o caldo de carne já com o açafrão dissolvido, mexendo lentamente para dissolver o amido e sempre adicionando mais caldo quando o arroz estiver secando.

Quando o arroz estiver quase cozido na textura “al dente” apague do fogo, adicione o queijo e a manteiga, deixe descansar por 5 minutos e sirva ainda “fumaçando”.

Variações: Adicionar o vinho tinto ou branco junto com a primeira colher de caldo.

Sugestão de Vinho: Sauvignon blac, de preferência da região do Oltrepo Pavese.

Referencias:

Harold McGee – On Food and Cooking: The Science and Lore of the Kitchen

Molinari Pradelli Alessandro – La cucina regionale italiana in oltre 5000 ricette

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Risotto – Parte I

Em post anteriores já falei sobre o risotto e seu preparo, mas relendo o que escrevi achei que ficou espaço para um aprofundamento. Decidi então realizar uma série de 3 posts, detalhados e com uma fundamentação teórica maior, um primeiro sobre toda a parte técnica, o segundo com a receita do tradicional risotto a milanesa e um terceiro post com variações de receitas.

Risotto a Milanesa

Risotto a Milanesa

Desculpas a quem achar esse primeiro post chato, mas tentei fazer uma argumentação teórica maior para demonstrar como na cozinha, a paixão e tradição são muito importantes mas também a técnica e ciência são diferenciais.

A Historia

O arroz (Orzya sativa) é uma graminácea nativa das regiões tropicais e subtropicais e teve sua variedade de grão curto “domesticada” em vários lugares do mundo ao redor de 7000 A.C. Quem difundido o arroz pela Europa foram os Persas que dominaram as técnicas de cultivo e preparado do arroz. Os mouros plantaram arroz na Espanha no sec. VII e um pouco depois disso levaram essa plantações para a Sicilia. O vale do rio Pó na região da Lombardia tem seus primeiros registro de plantações de arroz datadas do sec. XV.

Outra variante histórica diz que os genoveses ou os venezianos trouxeram o arroz durante suas viagens mercantes pelo extremo oriente. Ao meu ver as duas histórias são verdadeiras e o arroz chegou a Itália por mais de um meio

As variedades

Existem no mundo mas de 100.000 variedades de arroz existindo dois principais subespécies, a Indica e a Japônica, a segunda que é plantada na Itália para o preparo do Risotto. A maior diferença entre essas subespécies é o tamanho do grão, sendo o grão da variedade Indica mais alongado do que a Japônica.

Arroz Carnaroli

Arroz Carnaroli

Arroz Comun

Arroz “Comum” Tipo 1

O Risotto pode ser elaborado com arroz das variedades Carnaroli, Arborea, Marateli e Vialone Nano embora a mais utilizada na Itália e minha preferida é a Carnaroli.  Existem três classificações de do arroz para risotto quanto ao seu tamanho: semifino, fino e superfino o arroz Carnaroli é um superfino.

A química

O arroz para risotto é constituído por 2 tipos de amidos. No exteriror temos a Amilopectina , um amido macio que de dissolve e desmancha durante o cozimento. No interior temos a amilose  que é um amido duro, que não se dissolve no cozimento e mantém o risotto com o característico al dente. O arroz Carnaroli tem um alto teor de Amilopectina, produzindo assim um bonito e cremoso risotto.

Referencias:

Harold McGee – On Food and Cooking: The Science and Lore of the Kitchen

Case Frances – 1001 Foods You Must Try Before You Die

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Tomates os frutos dourados

O tomate (Solanum lycopersicum) que em italiano é chamado de Pomodoro, é um dos produtos mais característicos da culinária italiana. Para se ter uma ideia a Itália produz 7,8 milhões de toneladas de tomate ao ano, mais que o dobro do Brasil.

Assim como o milho da polenta não é italiano o tomate também não é, ele veio das Américas, trazido pelos colonizadores e chegou na Itália apenas em 1596 sendo cultivado com sucesso no sul do pais apenas anos mais tarde.

O nome Pomodoro se originou pois as primeiras espécies trazidas para a Itália eram douradas, dai o nome Pomo ( Maça) d’oro (de ouro). Em português se fala tomate pois esse era o nome dado pelos nativos da America centra ao fruto tomatl.

Pomodori

Apesar de comer tomates a anos, apenas recentemente comi um tomate amadurecido no pé, que eu recebi de presente em uma visita a pequena cidade de Angolo Terme. Quando comi esse tomate toda a insistência dos italianos de cozinharem com ingredientes locais e na estação correta me fez muito mais sentido.

Não sei se era o sol do verão, o solo, o microclima da montanha ou se era apenas sorte do produtor mas aqueles tomates foram uma das melhores coisas que já comi na vida.

Igreja de São Silvestre em Angolo Terme

Os tomates eram doces, quase como um caqui, não eram ácidos e eram tão tenros que minha intenção inicial de fazer um molho foi abandonada e resolvi fazer uma salada caprese. Uma salada caprese é uma receita da Campania que se tornou famosa por ser a famorita do Rei Farouk do Egito.

Minha versão é minimalista e básica, deixando ao montagem como grande diferencial. Gosto de montar como se a salada fosse uma maçã.

Insalata Caprese

Para montar eu coloco a mussarela dentro do tomate e rego tudo com o pesto e o vinagre. Servir não muito gelada, de preferência acompanhada de um bom espumante.

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Frango Cordon Bleu a Bergamasca

Fazendo justiça ao nome do Blog vou demonstrar uma receita usando o delicioso queijo taleggio.

Frango Cordon Bleu

Frango Cordon Bleu a Bergamasca

Essa receita eu inventei usando ingredientes que estavam disponíveis na geladeira da minha Zia quando eu estava passando um tempo com ela em Bergamo. Tentei fazer algo como uma releitura do clássico frango Cordon Bleu.

O frango a Cordon Bleu é uma prato americano que nada tem a ver com a clássica escola francesa de mesmo nome. segundo o site http://www.foodtimeline.org/ o  frango Cordon Bleu surgiu de variações de pratos feitos com vitela. Sua primeira aparição data de 1958 no jornal LA Times.

ingredientes frango Cordon Bleu

Para minha variante a Bergamasca segue os seguintes ingredientes:

330g de filé de  peito de peru

2 fatias de presunto tipo Parma (de preferência San Danielle)

2 fatias grossas de queijo taleggio descascado

ovo e farinha de rosca para empanar

manteiga e salvia para fritar.

sal e pimenta do reino

Preparo:

Abra os peitos ao meio deixando um lado sem cortar para segurar tudo junto. Tempere com sal e pimenta,  coloque uma fatia de presunto, uma de queijo taleggio e uma folha de salvia dentro dos peitos.

Com cuidado feche e empane passando no ovo e na farinha de rosca.

ingredientes frango Cordon Bleu na panela

Frite em uma frigideira com muita manteiga e duas folhas de salvia. O segredo é manter o fogo baixo para cozinhar bem o peito sem queimar a casca não esquecendo de apenas virar o peito uma vez.

Para servir eu recomendo como acompanhamentos carciofini no azeite e pão italiano.

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Gnocchi di Patate con Uova

Por toda Europa são comum bolinhos de massa cozidas, um ótimo e simples acompanhamento para tudo, de carnes assadas a cozidos grossos. Eu pela minha parte alemã  os conheço como Knödel e pela minha parte italiana eles são os Gnocchi.

A palavra gnhocchi (nhoque)  deriva da palavra italiana nocchio, ou seja, um nó.  Tem sido um tipo de macarrão italiano tradicional com origem provavelmente no Orinete Médio nos tempos romanos. Foi introduzido na itlalia pelas legiões romanas durante a expansão do império.

Como muitos pratos italianos, há uma variação considerável nas receitas e diferentes nomes em diferentes regiões. Elas podem ser feitas de semolina(Gnocchi Alla Romana) , de farinha de trigo comum, farinha e ovos ,  batata, migalhas de pão e minha zia comenta que na epoca de guerra eles cominham muito gnocchi de repolho.

Minha namorada foi fazer intercambio para a Inglaterra e um pouco antes dela viajar, fizemos juntos uma panelada de gnocchi, vou colocar os ingredientes e as fotos a seguir.

gnocchi di patate con uova

Gnocchi di patate

Vou dar uma receita base de gnocchi de batata com ovos. A proporção que mais me agrada é de 3 de batata pra 1 de farinha, com 1 ovo para casa kg total. Ou seja uma receita base seria:

900 g de batatas cozidas e esmagadas

300 g de farinha

1 ovo

1 pitada de sal.

O preparo é simples, misture tudo, adicione mais farinha se necessário para dar liga e pronto. Estando a massa pronta, faça os rolinhos de massa e corte no tamanho desejado.

Minha namorada Abrindo o gnocchi

Cozinhe numa panela com muita água e assim que eles boiarem estão cozidos.

Para servir, um molho com carne e muito queijo é minha sugestão. Adimito que como vocês podem ver na foto mais acima no post, não deixei meu molho apurar o suficiente e esse soltou muita agua.

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Manzo in umido con polenta – Contra filé Braiser

Recentemente achei no carrefour cortes de novilho precoce. Adorei o custo beneficio da carne e acho que ela se aproxima muito do manzo que eu comi na Itália. Uma carne com sabor e textura sem ser dura e fibrosa.

Para prepara essa carne eu recomendo o prepara “in úmido” uma variante do braiser francês. O resultado é uma carne suculenta e saborosa com muito molho, o que é ideal para comer com uma boa polenta.

Os ingredientes são:

1,5 Kg de Contra filé de novilho precoce

2 cebolas pequenas cortadas em cubos

2 cenouras cortadas em cubos

1 lata de tomates tipo “pomodori pelati”

1 L de caldo de carne (nessa receita coloquei 2 tabletes de caldo de carne em 1l de aguá)

500 ml de Vinho tinto

Tomilho, louro, pimenta do reino e cominho

Sal

Manteiga (com um pouco de óleo para não queimar)

O  preparo começa derretendo a manteiga e selando (fritando) todos os lados da carne, retire a carne, coloque a cenoura e a cebola e deixe dourar. Coloque um pouco do caldo e raspe com a colher as “casquinhas” na lateral da panela (déglacé).

Enquanto isso bata os tomates no liquidificador para fazer um molho, não precisa coar.

Coloque a carne novamente na panela, cubra com o caldo, coloque o vinho, o molho de tomate e as ervas. Tampe e deixe cozinhas em fogo baixo por 2 horas ou tampe e coloque no forno a 170ºC tambem por 2 horas. Não deixe o molho levantar fervura pois isso vai deixar a carne dura.

Estando a carne bem cozida (temperatura interna de 77ºC), retire ela do molho para poder então apurar esse em fogo alto.

Se desejar pode adicionar batatas 30min antes do terminado do cozimento. Servir com uma boa polenta ou arroz e acompanhar com um vinho tinto.

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Polenta Taragna

A Polenta Taragna é um prato típico dos vales das regiões bergamascas e Brescianas. Tem como diferencial a presença da farinha de trigo sarraceno (Fagopyrum esculentum), manteiga e queijos moles em sua composição. Seu nome vem da palavra Tarai, que é o nome dado ao bastão de madeira que é utilizado no seu preparo tradicional.

Como curiosidade o trigo sarraceno é rico em Rutina (vitamina P), que ajuda no fortalecimento dos vasos capilares, diminuindo o aparecimento de microvarizes e ajudando no tratamento de edemas.

A receita que eu posto hoje veio direto da Itália, enviada pela minha Zia. Nunca havia preparado esse tipo de polenta, apenas deliciei-me com essa maravilha acompanhado de porcini frescos na manteiga e carne de cervo, em um restaurante na Val Brembana.

Vamos a tradução:

Polenta Taragna (4 pessoas)

400g de Fubá (pode colocar 1/3 de sêmola de milho para melhorar a textura pois nosso fubá é muito fino)

1500 g de água (1,5 L)

1 colher de sopa de óleo (pode ser canola ou milho, nada de soja)

1 colher de sopa de sal grosso

1/2 pão seco(de preferência um pão massudo como o italiano ou o português)

Manteiga

Salvia

Queijos tipo  Fontina, Taleggio, Branzi e Bitto.

Modo de preparo:

Coloque a água para ferver com o óleo, o sal e o pão. Adicione a farinha, que pode ser: somente fubá, fubá mais sêmola ou fubá mais sêmola mais o trigo sarraceno (ai via do que tiver a disposição).

Deixe cozinhar por 45 minutos, mexendo muito bem, se grudar no funda da panela é normal. Apague o fogo, adicione a manteiga (derretida com a salvia junto) e os queijos, misture bem e sirva. Lembrando que é normal essa polenta ficar firme, e não mole como muitos estão acostumados.

Para adaptar os queijos a variedades mais baratas no Brasil podemos colocar mussarela, um queijo com 10% de leite de cabra e brie ou camembert (não dá aquele “kick” do taleggio, mas dá pro gasto)

Não tem as quantidades da manteiga e dos queijos porque isso vai ao gosto de quem está preparando e o quanto pesada você quer deixar a polenta.

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Pasta Fresca – Uma curta historia do macarrão

Muitos pratos italianos são cercados de historia de conquistas e explorações. O macarrão que segundo a historia foi trazido da china por Marco pólo é um deles. Marco pólo foi um explorador veneziano que foi  a china e que desvendou e mostrou ao ocidente  diversos dos costumes chineses. Porem o macarrão não era um mistério para o ocidente, e contrario o que diz a lenda os italianos já conheciam o macarrão alguns séculos antes de Marco pólo. Tanto que marco pólo referiu-se aqueles noodles que ele encontrou na china como Lagana, uma comida que já era consumida desde o sec. I B.C. na região do oriente médio.

Essa massa (Lagana) não era exatamente igual ao que conhecemos hoje em dia, ele era assado e comido com leite, mas é considerada por historiadores como a bisavó da massa de lasanha. Foram os árabes que introduziram  o macarrão na Itália, eles já plantavam o trigo durum (Triticum durum) na Líbia no sec. VII, quando esses invadiram a Sicílias. Portanto o trigo e o macarrão chegaram a Itália 500 anos antes de Marco Polo Nascer.

Macarrão é a designação para uma grande variedades de produtos. Pode ser longas (Spaghetti e Vermicelli ), curtos (Penne, Farfalle e Fusilli), com ovos (Tagliatelli, pappardelle), para forno (conchiglione, cannelloni, Lasagna) e rechedas (Casoncelli, ravioli, agnolotti e cappelletti). Cada região tem sua massa típica, a de Bergamo é o Casoncelli como já expliquei num post, mas as lasanhas e outras massas feitas na região bergamasca também são deliciosas.

Vou tentar algo novo no blog e colocar fotos da receita, nesse caso massa fresca. Eu preparei a massa para fazer lasanha mas acabei fazendo com ela um pouco de Tagliatelli.

Os ingredientes são:
800 g de farinha de trigo branca

200 g de semolina de trigo durum

3 ovos

Sal

Água

Para o preparo eu utilizei uma maquina elétrica para abrir macarrão, mas um bom rolo de madeira faz o mesmo serviço.

Por Victor Pina Schmidt

A preparação é fácil, com as duas farinhas faça um pequeno monte, coloque os ovos no meio e misture de fora pra dentro. adicionando água aos pouco para dar o ponto.

Por Victor Pina SchmidtA massa deve ficar homogênea e a adição da agua deve ser lenta para não ficar uma massa grudenta.

Por Victor Pina Schmidt

A massa ficando homogênea, pode-se comessar a trabalha-la. Corte pequenos pedaços e abra com o rolo, dobrando, e abrindo novamente. Esse trabalho deixa ela mais clara e mais elástica.

Após ela clarear pode-se abrilá na espessura correta.

Por Victor Pina SchmidtPor Victor Pina SchmidtPor Victor Pina Schmidt

Na região de Bergamo as massas  são mais finas que nas regiões mais ao sul do Itália. Fui acostumado pela minha nona a massas muito bem trabalhadas e finas, por isso mantenho essa exigência de qualidade até hoje.

Feita a massa, polvilhe com a semolina enrole e corte o macarrão, ou deixe em folhas para a lasanha.

Por Victor Pina SchmidtPor Victor Pina Schmidt

Deixe secar ou cozinhe ainda fresca. Essa pasta eu fiz com um ragu (A receita do ragu eu ainda posto aqui, o ragu correto leva umas 4 horas para ficar pronto) e muito queijo.. o prato final ficou assim :

Por Victor Pina Schmidt

Tenho que dar créditos ao meu irmão Claudio que é o especialista de casa em trabalhar e abrir a massa, as mãos da foto são dele.

(Triticum durum)(Triticum durum)
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Manzo, cavalli, asini, caprioli, e conigli

A região de Bergamo possui muitas áreas montanhosas, assim, a carne de vaca nem sempre foi uma opção para todos daquela região.

Vista de uma montanha onde se cria gado

Os italianos quando se fala de carne da vaca preferem ou o Manzzo, um novilho com mais de 1 ano de idade e menos de 4, ou a vitello com menos de um ano recém desmamado.  Eu entendo essa preferência por animais novos devido ao fato que a falta de pasto leva a criação em confinamento, que é cara, assim não é viável deixar o animal envelhecer muito. Alem disso as vacas tem como foco o leite para fazer os queijos, assim, quanto mais filhotes ela tem melhor, consumindo-se então eles novos, como vitello.

Mas a carne de vaca não é a única fonte de proteína, em regiões montanhosas existem outras fontes mais saborosas, como o porco, frango,  coelhos e lebres, pequenos pássaros,  o capriollo (corça, cervo),  cavalo e asino (asno) .  Temos que entender que em regiões isoladas e em tempo de guerra e pobreza, até gatos se tornam alimentos (tenho uma receita de gato ensopado se alguém quiser), pois na necessidade a sobrevivência depende de proteínas, assim sendo, qualquer carne é carne.

Fui criado comento coelhos, meu avo os criava, e para mim é uma carne normal, que quando bem preparada leva a pratos divinos. Por mais irônico que pareça, adoro comer um coelho com polenta na páscoa, é um evento marcante para mim. Diferente dos moradores da região de Bergamo, eu não gosto de comer os miúdos, apenas as partes de carne branca, sempre escuto que o fígado do coelho frito na manteiga com salvia é uma iguaria, mas não gosto de comer miúdos de nenhum animal.

Para muitos comer carne de animais como cavalo pode parecer estranho, mas ela é altamente recomendada para pessoas doentes, pois tem um alto teor de nutrientes e um baixíssimo teor de gorduras. Na verdade existem campanhas na Televisão italiana falando dos benefícios da carne de cavalo e de asno. Eu provei e adorei, ela tem um sabor mais ferroso que a carne de vaca mas é muito saborosa e se bem preparada fica tenra.

Vou colocar hoje uma receita de coelho a cacciatora, que eu acho o acompanhamento perfeito para uma polenta, e também reconheço como uma das formas menos traumáticas para se provar esse animal. Existem inúmeras versões desse prato e sua origem remete aos caçadores que preparavam lebres enquanto acampavam nas montanhas (cacciatore e caçador em italiano).

O coelho é uma carne fácil de ser encontrada em supermercados na parte de congelados, ou no mercado municipal das cidades. Porem se preferir pode substituir por frango ou outra carne branca.

Ingredientes:

2 Kg de coelho limpo e cordado em pedaços

2 L de um bom vinho tinto (Bom mesmo, nada de vinhozinho doce e vagabundo)

1 maço de salsão picado

4 cenouras em cubos

4 cebolas pequenas em cubos

Sal

Pimenta do reino

Salvia e alecrim

1 cravo

1/3 de pau de canela

250 G de manteiga sem sal

Preparo

Para o preparado coloca se todos os ingredientes menos a manteiga num recipiente e deixa-se o coelho marinado por 48 horas.  Passado esse período separam-se os pedaços do coelho, os legumes e o caldo da marinada em 3 recipientes.

Numa panela funda e grossa, derrete-se a manteiga e doure os pedaços de coelho até a água que esses soltarem se secar. Coloque então os legumes da marinada devidamente escorridos e deixe dourar também.

Por final coloque o caldo da marinada e se desejar complete com mais vinho ou um bom caldo. Eu gosto do molho mais concentrado então não adiciona muito mais liquido durante o cozimento para não criar uma sopa.

Deixe cozinhar até o coelho ficar mole, tire os pedaços de coelho e de uma leve processada nos legumes (use um processador de mão vulgo mixer), recoloque o coelho e sirva.

Para dar uma incrementada e deixa-lo mais tradicional pode-se adicionar cogumelos frescos cortados em cubos ao final da receita (nada de champignon pelo amor de Deus)

Vou retornar mais vezes ao assunto de carnes diferente e receitas para essas, não quer causar nenhuma polémica nem discutir o que é certo ou errado. Sei que pode parecer chocante e controverso esse tipo de tópico, mas não podemos esquecer que em regiões do Brasil se come capivara, javalis e afins (já comi e são carnes muto boas). Para os alpinos essas carnes que para muitos são estranhas e nojentas, são iguarias e parte da cultura. Eu comi todas as carnes citadas nesse post, e garanto que são todas deliciosas.

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