Polenta

Foto da janela do restaurante na Vall Brembana onde eu provei pela primeira vez a polenta Taragna.

Se existe uma coisa comum em toda região Bergamasca, das planícies e vales ao topo das montanhas é o gosto por comer uma boa polenta. Um jeito de se referir a um bergamasco é chamá-lo de Polentone. Para mim é uma comida que está enraizada na cultura local e uma boa polenta, com uma ricetta herdada da nonna é um motivo de orgulho para um bergamasco.

Existem por toda região inúmeras receitas e variações da polenta (entre elas a maravilhosa Taragna) mas todas tem em comum a presença de alguma farinha milho. Diferente de muitas polentas servidas aqui no Brasil elas são sempre firmes, com uma textura que permite se cortar com a faca de madeira e colocar a fatia sobre uma deliciosa camada de queijo e cobrir tudo com um delicioso molho.

Contando um pouco da origem da Polenta tudo começa com Cristovam Colombo, que traz das Américas junto com o feijão e tomate, algumas sementes de uma planta chamada” MAHIZ ” que os nativos usavam a farinha. Chegando a Itália essas sementes  foram rapidamente plantadas e sua farinha foi incorporada a gastronomia local.

Um fato interessante é que por ingerirem somente polenta sem um complemento, muitos habitantes das montanhas contraiam Pallagra (http://en.wikipedia.org/wiki/Pellagra). Quando perceberam a origem da doença os montanhistas de cada região incorporarão em suas polentas ingredientes para enriquecer as mesmas, como no Val di Lanzo onde o prato é enriquecido com mirtilio e ameixas.

Um boa polenta tradicional precisa somente de farinha de milho, água e muito cotovelo. Aqui eu vou postar a receita que eu aprendi com minha nonna e que é referencia para mim de polenta.  Utilizo a sêmola de milho pois a farinha utilizada na Itália é mais grossa que nosso fubá então a sêmola melhora a textura do prato.

Ingredientes:

2L de água

1 Xícara de Chá de Sêmola de milho

3 Xícaras de Chá de Fubá

Pitada de Sal

Preparo:

Coloque a água para ferver e assim que surgirem as primeiras bolhas acrescente o sal e a sêmola de milho e misture vigorosamente com um batedor. Quando a mistura começar a engrossar vá adicionando o fubá sempre mexendo para não formar pelotas.

Agora vem a parte que exige cotovelos, se você não tiver um batedor elétrico de polenta você deve pegar uma colher de pau e mexer a mesma sem parar, de cima para baixo, lentamente para ela cozinhar por igual.

Não assuste com a casaca que forma na parte debaixo da panela, isso é um sinal que a polenta está ficando pronta e depois DEVE ser comida, aconselho com um pouco de leite e açúcar.

A polenta estará pronta quando essa estiver desgrudando do fundo e sem gosto de fubá cru.

Uma boa polenta pode ser acompanhada de tudo, desde um ovo frito até um coelho a cacciatora (meu favorito). Recomendo sempre servir a polenta sobre uma taboa de madeira e cobrir a mesma com um pano de algodão para não formar uma casca dura devido ao contato com o ar.

Ainda postarei alguma receitas de variações e muitos complementos para polentas. Espero nesse post ter feito jus a esse prato que não é antigo como a região de Bergamo mas faz parte de sua cultura como nenhum outro.

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Categorias: Pratos Típicos | Tags: , , , , | 1 Comentário

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Uma opinião sobre “Polenta

  1. Bruno Lessa

    Schmidt,

    Esse papo de polenta lembro meus avôs!! italianda adora isso!! eu tb…experimente comer polenta e feijao somente…muito bom!!!!

    abrazzz

    Aguardo novas receitas!

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